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<title>mod7(blog)_pag17(index)</title>
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<strong id="logo_print">
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</strong>
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<img alt="Patricia Figueira" src="images/logo.gif" title="Título do logotipo de tela. Existe também um de impressão." />
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</p>
<em id="slogan">A nova cara da fotografia social.</em>
<ul>
<li><a href="mod1(pictures)_pag01(index).html">Fotos</a></li>
<li><a href="mod2(videos)_pag09(index).html">Vídeos</a></li>
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<li class="current"><a href="#">Blog</a></li>
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<div id="main_content">
<h1>Blog</h1>
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</p>
<div class="article">
<h2>
<a href="#">Teste de vídeo: Casamento Juliana e Augusto, melhores momentos</a>
</h2>
<p class="date">
<strong>20/05/2010, 11:57</strong>
</p>
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</div>
<p>Um teste de vídeo para ver como fica a aparência e como seria possível mexer no CSS.</p>
<div class="tags">
<h3>Tags:</h3>
<p>
<a href="#">19/09/2009</a>
<a href="#">Casamento</a>
<a href="#">Juliana e Augusto</a>
<a href="#">Rio de Janeiro</a>
</p>
</div>
</div><!-- .article -->
<hr />
<div class="article" id="article_18989769">
<h2>
<a href="#">Teste de artigo com fotos</a>
</h2>
<p class="date">
<strong>20/05/2010, 11:30</strong>
</p>
<p>Um pequeno álbum de fotos. Será que é possível editar o CSS para fazer a largura máxima das fotos ser igual à da coluna de artigos?</p>
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<span class="galleryLabel">2 of 7</span>
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<div class="tags">
<h3>Tags:</h3>
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<a href="#">19/09/2009</a>
<a href="#">Casamento</a>
<a href="#">Juliana e Augusto</a>
<a href="#">Rio de Janeiro</a>
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</div><!-- .article -->
<hr />
<div class="article" id="article_16122278">
<h2>
<a href="http://leandromellogp.posterous.com/entrevista-com-stil">Entrevista com STIL</a>
</h2>
<p class="date"><strong>10/10/2007, 7:55</strong></p>
<h3>Da dramática entrada no mundo da arte à celebração como grande nome do roteiro de animação. A vida do cartunista Pedro Ernesto Stilpen na animação mais lembra um roteiro dos que ele próprio ensina a escrever, com direito a <em>set-up</em> da trama, <em>portais</em> a cada ato, reviravoltas e sucesso, em um arco de crescimento que está a pleno vapor. Na entrevista inaugural do blog da animação, Stil fala sobre as forças que o levaram a ser animador, seu aprimoramento como roteirista, mandamentos para o bom roteiro, tendências do estilo brasileiro e os desafios que enfrenta o texto de animação no Brasil de hoje. E avisa: 2008 vai ser o ano da explosão de demanda por animadores e roteiristas.</h3>
<p><strong>Leandro Mello:</strong> <em>Gostaria de começar sabendo um pouco da sua trajetória: o que foi o grupo Fotograma?</em></p>
<p><strong>Stil:</strong> O grupo Fotograma foi exatamente onde eu comecei a fazer cinema. Não comecei a fazer cinema de animação; fiz dois filmes ao vivo, que foram capturados pelo DOPS. O grupo fotograma na verdade era ligado ao VAR-Palmares, e nós éramos guerrilheiros urbanos. Uma das coisas que o grupo fez foi seqüestrar o avião da Cruzeiro que ia para Belém. E foi obrigado a ir para Cuba. Surpreendente?</p>
<p><strong>LM:</strong> <em>Muito!</em></p>
<p><strong>Stil:</strong> Pois é. No Fotograma nós fizemos bastantes trabalhos, chegamos a começar um grupo de animação, cuja música era do Gilberto Gil, com “Capinam, Viola e Violência”. E que nunca foi adiante, porque quando a Aeronáutica bateu, três amigos nossos já estavam na Iugoslávia; eles foram bater no meu apartamento e fui obrigado a sair; fui convidado a sair do Departamento de Estradas e Rodagem, onde eu era arquiteto; só me restou um único caminho, e meu único caminho era a animação. Aí eu comecei a animar nas horas vagas o <em>Batuque</em>, e assim começou minha história de animador, empurrado pela Ditadura.</p>
<p><strong>LM:</strong> <em>Você chegou a dizer que o Batuque foi um testamento...</em></p>
<p><strong>Stil:</strong> Sim, o <em>Batuque</em> foi um testamento. Porque minha cabeça estava a prêmio, ligaram lá para casa e disseram que eu seria jogado no Oceano Atlântico — não para nadar. Aí eu deixei às crianças, a alguma crianças que eu conhecia, algo como quem diz “olha, eu morro mas vocês continuam a luta”.</p>
<p><strong>LM:</strong> <em>Depois do Batuque você fez algum filme do mesmo teor?</em></p>
<p><strong>Stil:</strong> Sim, do mesmo teor de preservação musical sim. Fiz mais tarde um filme chamado <em>Reflexos</em>, que também eram músicas brasileiras eruditas com ilustração de animação.</p>
<p><strong>LM:</strong> <em>Mas com a mesma força de intenção do Batuque?</em></p>
<p><strong>Stil:</strong> Não, não tinha essa mesma amargura que o <em>Batuque</em> tinha — amargura na minha vida, não na tela —, mas <em>Reflexos</em> tinha aquela mesma vontade de preservar a cultura nacional. Todos os filmes pautaram por isso: pautaram por uma luta no sentido de preservar nosso acervo. Por exemplo: <em>Faz Mal</em> e <em>Super-Tição</em> falam sobre as crendices populares brasileiras; o <em>Reflexos</em> tem a Dança Brasileira, música de Camargo Guarnieri, que faria agora cem anos se fosse vivo, e também Villa-Lobos, com seu Canto do Cisne Negro; <em>Asdrúbal </em>—<em> o que há com seu peru?</em> fala da voracidade da sociedade brasileira sobre as celebridades, e por aí vai.</p>
<p>(nota: Stil e Moreno, do grupo NOS, ganharam com <em>Reflexos</em> o Troféu Humberto Mauro/1975 do INC.)</p>
<p><strong>LM:</strong> <em>Acho que o professor já respondeu de antemão uma das perguntas que eu ia fazer, que era “o que inspira as suas obras”?</em></p>
<p><strong>Stil:</strong> O que me inspira na hora em que eu estou escrevendo é o Brasil. Agora estou mais aberto para o problema mundial da discussão sobre a ecologia, ando escrevendo muito livros, e estou voltado agora mais para roteiros, agora que não posso olhar muito para uma tela e não tenho mais condições de animar. Estou muito feliz nessa minha fase de roteirista.</p>
<p><strong>LM:</strong> <em>Essa fase de roteirista começou quando?</em></p>
<p><strong>Stil:</strong> Já começou há bastante tempo, mas agora, junto à Labo esse ano, estou trabalhando direto em cima disso. Já tenho há bastante tempo escrito quadrinhos para a Editora Globo, onde escrevo para o Ziraldo, Sítio do Pica-pau Amarelo, Turma do Cocoricó, ao todo doze revistas que escrevo por mês.</p>
<p><strong>LM:</strong> <em>Roteiro, para você, ganha o estatuto de literatura ou é algo diverso?</em></p>
<p><strong>Stil:</strong> Literatura não... Não deixa de ser, porque trata da língua portuguesa, e os roteiros que eu escrevo têm estilo. Nas minhas aulas eu falo que o roteiro tem que ser agradável de ser lido e, quando você descreve uma cena, você descreve quase como escrevendo um livro. Isso se chama nos Estados Unidos “<em>production value</em>”, “<em>valor de produção</em>” — quando o roteiro tem os elementos necessários para o diretor pegar e transformar numa obra maior.</p>
<p><strong>LM:</strong> <em>E qual é o seu estilo de fazer roteiro?</em></p>
<p><strong>Stil:</strong> Mediúnico. Às vezes eu sento para escrever uma coisa e sai outra completamente diferente.</p>
<p><strong>LM:</strong> <em>Sobre o production value: o que compõe um bom roteiro?</em></p>
<p><strong>Stil:</strong> O roteiro, como explico nas aulas, é o caminhar sobre as pedras no meio do mar, e não afundar. Existe o caminho das pedras para um bom roteiro. Com cinco minutos você tem que fisgar o interesse do espectador; até os trinta minutos você faz o <em>set-up</em> da história, o que a história é, quais são as forças que se opõem ao personagem; aos trinta minutos, isto é, na página 30, você determina uma passagem ao personagem, um portal que ele atravessa e não pode voltar. Este é o primeiro ato. O segundo tem um novo portal, mais ou menos em torno da página 60. Depois você tem uma corrida na direção de atingir o objetivo: o personagem perde, e depois alguma coisa acontece em que ele vira o jogo e ganha, e depois tem a celebração. Esse é o bê-a-bá do roteiro de sucesso. Isso não quer dizer que um filme de sucesso esteja obrigatoriamente seguindo este roteiro, mas um roteiro nessas condições certamente é um roteiro bem estruturado. O que é necessário: que o roteiro tenha clareza, tenha conseqüência, que o personagem aprenda alguma coisa completando seu arco no final. Existe um certo número de regras, um certo número de objetivos que você tem que ter no seu roteiro, além de que ele, se possível, seja original.</p>
<p><strong>LM:</strong> <em>O que você acredita que falta no roteirista de animação brasileiro?</em></p>
<p><strong>Stil:</strong> Que eu saiba, eu sou o único roteirista. (risos) Ei! É brincadeira!</p>
<p><strong>LM:</strong> <em>Então faltam pessoas! (risos)</em></p>
<p><strong>Stil:</strong> É, faltam mais roteiristas! E eu lhe digo: vou precisar de assistentes! Até agora eu não consegui. A primeira coisa que eu faço nas aulas é saber quais são os objetivos dos alunos. Como o curso é de animação, todos os alunos querem ser animadores. Então não consegui nenhum aluno que chegasse para mim e dissesse “professor, dá uma olhada nesse roteiro aqui e vê se está legal”. Todos queriam sentar à mesa e começar a animar. Lamentavelmente eu não encontrei algum. Não que não existisse; mas é necessário mais do que sentar e escrever. É necessário entrar fundo na cabeça de cada personagem, saber como ele pensa, saber como ele reage a cada estímulo.<br /> Outra coisa é a seguinte: as pessoas pensam “ah, vou pegar esta história em quadrinhos e animar história em quadrinhos”. O resultado é que você vai obter uma animação fracionada. O tempo do quadrinho é diferente do tempo da animação. Quando você passa de um para o outro, quadrinho não é <em>storyboard</em>. Quadrinho é uma história em si, acabada, em que não há continuidade sequer do personagem: digamos, se ele está com a mão do queixo num quadro e no outro com um guarda-chuva aberto, tudo bem, no quadrinho se aceita; na animação não: ele tem que tirar a mão do queixo, pegar o guarda-chuva, abrir o guarda-chuva. Tem que estar no <em>storyboard</em>. É parecido com os quadrinhos: o <em>storyboard</em>, como os quadrinhos, carrega a animação, explica o que ela é; mas, na animação em si, cada elemento tem que evitar erros de continuidade.</p>
<p><strong>LM:</strong> <em>No roteiro das animações brasileiras que a gente vê, o que você acha que falta?</em></p>
<p><strong>Stil:</strong> Falta roteiro. Sem querer criticar o que foi feito, mas a gente sente que falta... Então é necessário que o roteirista primeiro saiba o que está fazendo, saiba o quê que a história é, qual é o fio condutor da história. E depois tem que conjugar a personalidade dos elementos do filme, ou seja, dos personagens, a cada estilo que o moldar. Por exemplo: a Cinderela está desesperada para mostrar que o pezinho dela cabe no sapato. Então o que você consegue com isso? Tensão do público enquanto os ratinhos estão levando para ela a chave para ela poder sair do quarto. Depois ela chega para experimentar o sapatinho; então o que a madrasta faz? Ela estica a perna para que o emissário do rei tropece e quebre o sapatinho. Olhe bem o que nós temos aí: nós temos os ajudantes da Cinderela fazendo de tudo para que ela consiga seu objetivo; a Cinderela ansiosa, correndo para dar tempo de experimentar o sapato; a madrasta dentro do papel dela de atrapalhar tudo; e o emissário do rei frustrado, com medo até de perder a cabeça, porque o sapatinho quebrou. O que acontece é que todos estão atuando a favor da expectativa. Aí acontece o milagre, isto é, ela tem o outro sapatinho no bolso. Isso ninguém esperava, porque não foi contado. Mas se é um par de sapatos, claro, cadê o outro? Mas ninguém se lembra, só se lembra aí, e aí que acontece o grande milagre da Cinderela, que a transformou num clássico.</p>
<p><strong>LM:</strong> <em>Então como faltam roteiros e faltam roteiristas, imagino que não faltem aspirantes a roteirista.</em></p>
<p><strong>Stil:</strong> Tomara, tomara! Por favor, me apresente.</p>
<p><strong>LM:</strong> <em>Acho que o que houve com o Animatique, por exemplo, é que ele se apresentou como um curso de desenho animado...</em></p>
<p><strong>Stil:</strong> Ele <em>é</em> um curso de desenho animado.</p>
<p><strong>LM:</strong> <em>Talvez uma solução seria apresentar um módulo de roteiro, ou um curso de roteiro.</em></p>
<p><strong>Stil:</strong> Sim. Ele é um curso de animação, só que a primeira coisa que eu falo na aula inaugural é que o desenho animado tem tantas opções quanto o cinema! Tem roteiro, tem fotografia, tem o cara da mala que cuida do dinheiro, o advogado que faz os contratos... É uma atividade tão diversificada e abrangente quanto o cinema normal.</p>
<p><strong>LM:</strong> <em>E para esses aspirantes a roteirista, que espero que existam também, que obras, tanto nacionais como internacionais, você recomendaria como referência, para eles se inspirarem? Valem as suas também! (risos)</em></p>
<p><strong>Stil:</strong> Eu sugiro que veja tudo. Bons roteiros, maus roteiros; que veja cada filme com olho crítico, para saber exatamente o que funcionou e o que não funcionou no roteiro. Normalmente nos grandes roteiros como <em>A Bela e a Fera</em>, por exemplo, <em>A Bela e a Fera</em>começa com uma falha de formação, de <em>set-up</em> de personagem gigantesca: eles querem vender a Bela como uma menina sonhadora, romântica, e que toda a fantasia dela vem dos livros. Como é que é resolvido isso? Numa canção, ela vem adentrando pela cidadezinha francesa lendo um livro. No entanto, ela, sem levantar os olhos do livro, diz “bom dia, Fulano”, “bom dia, Cicrano”, até evita um jorro d’água que ia molhá-la... Na verdade, ela não está lendo um livro! É <em>fake</em>, é mentira, ela só está fingindo que está lendo um livro. Então a personalidade dela não é vendida logo de saída. E se você não vende essa imagem logo de saída, logo nos primeiros cinco minutos, você não consegue recuperar no resto do filme. O resultado: a Bela é a princesa menos interessante de todas. A figura mais interessante do filme é a Fera, é o vilão! O vilão passa a ser o protagonista do filme, porque a Bela é fraca. Quem escreveu o roteiro não gostava da Bela; não entrou no corpo dela. Ela não era um Dom Quixote, que sonhava com a cavalaria; não, ela era uma mocinha, que na verdade estava querendo casar, recusando todos os pretendentes, que fingia gostar de ler. É isso que ela era.</p>
<p><strong>LM:</strong> <em>Outro filme que pareceu ter um contraste muito grande entre qualidade de animação e de roteiro foi Planeta do Tesouro.</em></p>
<p><strong>Stil:</strong> <em>Planeta do Tesouro</em> é um fracasso. Disney falava uma coisa muito séria: “se o roteiro é ruim, não adianta dourar a pílula”. Não tem nada que você possa fazer para salvar um filme com um roteiro ruim. Um roteiro ruim afunda qualquer apresentação. Por exemplo: você viu agora <em>A Família do Futuro</em>?</p>
<p><strong>LM:</strong> <em>Não vi...</em></p>
<p><strong>Stil:</strong> Ótimo. É um filme que a Pixar varreu logo para baixo do tapete. Quando apareceu <em>Ratatouille</em>, ninguém falou em <em>Família do Futuro</em>. Disseram “dos mesmos que criaram <em>Toy Story</em>, <em>Monstros S.A.</em> e <em>Procurando Nemo</em>”, porque esses deram certo. Mas <em>O Galinho Chicken Little</em> e <em>A Família do Futuro</em> são muito ruins, e vão cair no esquecimento. Têm um roteiro muito ruim e uma produção excelente. Não adianta produzir bem quando a história não tem os elementos para segurar o público. <em>Ratatouille</em> já é outra coisa: pegaram uma premissa completamente desinteressante, que é um rato, um bicho nojento, que deseja mexer com comida. Essa é a premissa muito fraquinha do filme. Mas o roteiro é tão bom, os personagens estão tão bem vendidos, que o filme sobreviveu. Esse é um filme que vai sobreviver. As pessoas vão comprar e tudo mais.</p>
<p><strong>LM:</strong> <em>E nos estúdios, na metodologia mesmo de produzir animação, o que te agrada e o que não te agrada?</em></p>
<p><strong>Stil:</strong> Em verdade, isso é uma coisa experimental. Nós estamos começando a apalpar. A gente sabe o que deu certo lá fora e eu estou tentando, lá dentro da Labo, pisar nas pegadas da Disney, isto é, abrir uma seção de trainees, na qual toda criatividade deve ser estimulada; aí pode ser que apareçam os primeiros aprendizes de roteirista, que a gente possa experimentar efeitos visuais, que a gente possa experimentar animação para outra coisa que não cinema, como atrações de parques...</p>
<p><strong>LM:</strong> <em>A Disney deu muito certo nesse sentido, eles tinham roteiro até para os brinquedos deles...</em></p>
<p><strong>Stil:</strong> Para tudo. Então, cada uma daquelas atrações é um pequeno filme. Tem personagens e tudo mais. Tem que vender a idéia, porque você tem cinco a oito minutos, no máximo dez, para vender tudo. É longa-metragem feito curta. Um curta-metragem dentro do qual você passa, fisicamente; mas é uma produção como qualquer filme.</p>
<p><strong>LM:</strong> <em>Na sua opinião, quais são as tendências de estilo da nova animação brasileira?</em></p>
<p><strong>Stil:</strong> Eu posso responder pela Labo. A Labo faz quase todos os estilos. Por exemplo, o<em>Nautilus</em> faz um estilo mais disneyano, exatamente porque ele pretende ser um longa-metragem, faz um estilo mais ambicioso; acabou de animar agora um <em>infomercial</em> para o Ziraldo, que apesar de ser de quadrinhos é bem diferente do Maurício; tem o estilo 3D com <em>Bloobs</em>; tem o estilo maluco tipo Nickelodeon, que é o <em>Halloween</em>; tem o estilo com o visual moderno brasileiro, que é o <em>Nossos Índios, Nossa Histórias</em>; tem o estilo UPA de animação, com o <em>Wilbur</em>... Em suma, acredito que lá deve ter uns dez estilos diferentes sendo feitos ao mesmo tempo.</p>
<p><strong>LM:</strong> <em>E você acredita que o Brasil vai tender mais para um estilo, como o caso do Japão?</em></p>
<p><strong>Stil:</strong> Isso aí vai depender do aparecimento de várias produtoras, e essas produtoras exibirem um estilo comum. Por enquanto não, por enquanto o Brasil é apenas um mutante que faz bem qualquer coisa.</p>
<p><strong>LM:</strong> <em>Uma mistura de estilos tão miscigenada quanto o próprio brasileiro.</em></p>
<p><strong>Stil:</strong> É. Por exemplo, hoje em dia é até difícil dizer o que é um estilo disneyano, porque, por exemplo, até pouco tempo você não poderia imaginar como disneyano um filme como <em>Monstros S.A.</em>. Este não é um estilo disneyano. Não é fofinho. Os personagens não são fofinhos. Então é difícil você hoje em dia, nos Estados Unidos, dizer que tal estilo tem tal estilo. Nos anos 50 esse estilo era mais definido; você sabia quando o filme era da Warner, tipo Pernalonga; quando o estilo era da UPA, que era mais arrojado, apesar de que a UPA saiu da Disney; o estilo Max Fleischer... Ainda que o animador fosse outro — fosse Chuck Jones, ou Tex Avery —, o estilo da Warner era único, uma marca definida. Hoje em dia misturou um pouco. Eles fazem qualquer coisa, fazem o que for necessário. Eu acho que é mais ou menos isso que, no começo, vai orientar os grandes estúdios brasileiros. Por enquanto só tem um. Grande, só um. Existem grupos excelentes de animação, como a Multirio, que tem um estilo de animação bem caracterizado pelo seu mentor, que é o Arturo Uranga. Então o estilo é aquela coisa muito bem elaborada, detalhista, uma animação fluente. Essa é a marca deles; mesmo o filme da série <em>Juro que Vi</em> que o Humberto Avelar não dirigiu, que é a <em>Iara</em>, segue o mesmo estilo. Tem o Campo 4, que faz comerciais, e tem que se adaptar ao estilo da peça publicitária — se for uma coisa simples é simples, se for complicado é complicado, se for 3D é 3D —; e não há muitos outros estúdios assim tão organizados não. Em São Paulo você vai ver muitos estúdios especialmente trabalhando em publicidade. Quando o animador começa a se destacar, ele é imediatamente captado para empresas americanas. O próprio Humberto agora, lá em São Paulo, estava fazendo algumas animações para os Estados Unidos. São Paulo tem muita ligação com os Estados Unidos. A Labo mesmo também tem; mas só que a Labo está muito voltada para Canadá e Europa. Tem várias produções que estão prontas para pipocar tanto no Canadá quanto na França.</p>
<p><strong>LM:</strong> <em>Sobre o público: por que a animação aqui é vista como coisa de criança?</em></p>
<p><strong>Stil:</strong> Esta visão está mudando, pois a TV de cabo popularizou o <em>South Park</em>, os <em>Simpsons</em> e o <em>Não Perturbe</em>, voltado para o público adulto. Já tivemos o <em>Planeta Selvagem</em>, <em>Allegro non Troppo</em> e <em>Heavy Metal</em>, com temas tão fortes quanto o tóxico, assassinatos e outros tabus para o desenho animado habitual. No entanto, quais são as revistas mais populares produzidas no Brasil? As revistinhas do Ziraldo, do Maurício de Souza, do <em>Sítio do Pica-pau Amarelo</em> e do <em>Cocoricó</em>. Quais são os programas mais populares de animação da TV? Xuxa, Eliana e daquela dupla do SBT, todos voltados para esta faixa de idade. Então, é comum achar que desenho animado tem de ser para crianças.</p>
<p><strong>LM:</strong> <em>Como superar essa visão? Ou melhor: o Brasil quer superar essa visão?</em></p>
<p><strong>Stil:</strong> Produzindo muito, todos os estúdios. Como eu disse, a Labocine tem muitos focos, mas a criança continua sendo o público-alvo principal. Você pode oferecer um produto adulto e esperar que venda, mas quem dita mesmo o mercado é a demanda. No momento, sem ter opções de material nacional, o público está ávido da nossa própria cultura. O filme da Xuxinha e a Turma da Mônica estão entre as maiores bilheterias, não é por acaso.</p>
<p><strong>LM:</strong> <em>Você faz animação (ou roteiro) para quem? Quem é o seu público?</em></p>
<p><strong>Stil:</strong> Depende do filme. Já escrevi roteiros que espirravam sangue, e outros tão cor de rosa que fariam corar os Ursinhos Carinhosos. Novamente a demanda me solicita roteiros para o público infantil. Tudo bem. Já escrevi para a família de personagens que eu tenho com o genial Arturo Uranga, <em>Zeca Tatu</em>, e a resposta das crianças foi estupenda. Isto aconteceu nos meados dos anos 80.</p>
<p><strong>LM:</strong> <em>Quais são os atributos para um bom animador?</em></p>
<p><strong>Stil:</strong> Apenas um: <strong>excelência</strong>, dar o máximo de si dentro das possibilidades de tempo e condições técnicas. Isto tem vários nomes — persistência, vestir a camisa, atenção ao detalhe, mobilidade, disponibilidade, amor ao estudo. O bom animador está atento às mudanças de estilo, deve dominar as ferramentas da sua profissão. Se tiver alguma idéia para uma animação, exponha-a para o seu diretor imediato.</p>
<p><strong>LM:</strong> <em>E quanto ao futuro? O que você vê para si e para o cinema de animação brasileiro?</em></p>
<p><strong>Stil:</strong> Teremos um <em>boom</em> de solicitação muito em breve. O número de canais está se multiplicando com a TV digital e haverá uma enorme carência de conteúdo. Muito lixo vai se misturar com material de qualidade, e até isto é saudável. Por outro lado, já mostramos que sabemos fazer e fazer bem. O Anima Mundi, por exemplo, dá um banho em organização.</p>
<p><strong>LM:</strong> <em>Há algo mais que você esperava que eu perguntasse e eu não perguntei?</em></p>
<p><strong>Stil:</strong> Sim, falta a informação de que os animadores estão se juntando para formar novas equipes e isto dará frutos mais cedo do que se pensa. É bom que o governo e os investidores liguem as suas antenas nos estúdios, pois muitas oportunidades vão surgir. Com os juros baixando, a economia terá de assumir alguns riscos, e o cinema de animação é um produto de baixo risco. Por outro lado, os jovens que se aprimorem, lutem pelo seu espaço, formem cooperativas, entrem sem medo na economia formal, tentem, consertem seus erros, discutam suas idéias na internet (o Orkut está cheio de comunidades de animadores), voltem o olhar para a <em>nossa</em> cultura, falem com as <em>nossas</em> crianças (ou adultos) sobre os <em>nossos</em> problemas, busquem um estilo que veicule o <em>nosso</em> jeito de ser. E boa sorte!</p>
<p><em>Pedro Ernesto Stilpen (Stil) é cartunista, animador e roteirista premiado nacional e internacionalmente.</em></p>
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<p class="date"><strong>21/09/2007, 1:07</strong></p>
<p><strong>Bem-vindos</strong> ao novo blog da animação. Um espaço para todos aqueles que trabalham no ramo, que têm vontade de trabalhar com isso ou que apreciam a riqueza dessa arte. Eu sou Leandro Mello, apaixonado por animação e aspirante a animador. E este espaço é para vocês.</p>
<p>Para abrir os tópicos, gostaria de delimitar o que este blog é e o que não é.</p>
<h3>O que não é.</h3>
<p>Este não é um blog focado em portifólio. Pelo menos não por enquanto. Eventualmente, devo postar aqui uma ou outra peça minha, mas a blogosfera brasileira já é suficientemente rica em gente capaz e peças interessantes em exibição; por isso, acredito que há muito mais a explorar nesta arte, como, por exemplo, analisar bons trabalhos de pessoas do ramo.</p>
<h3>O que é.</h3>
<p>Este é um blog diferente dos de animação que se costuma ver por aí. Aqui vou publicar entrevistas com gente do ramo da animação e de áreas relacionadas. Vou falar sobre boas peças animadas, divulgar o trabalho de quem faz, tirar dúvidas dos leitores e, principalmente, levantar dúvidas. E também escrever artigos que articulem animação com outras disciplinas do saber: filosofia, sociologia, estética, economia, ergonomia, história; o que vocês quiserem ler aqui, é só pedir que eu pesquiso.</p>
<h3>O que pretende ser.</h3>
<p>Mais para frente o conteúdo acumulado vai servir a muitos propósitos: promover a discussão produtiva sobre animação e suas interfaces; agregar artistas, cientistas e curiosos em uma rede crescente de contatos e conhecimento; contribuir para o nível geral da animação brasileira; e, quem sabe, fornecer referência para monografias, dissertações e teses Brasil afora.</p>
<p>No momento, estou preparando algum material para começar as postagens. Mas desde já gostaria de declarar inaugurado o blog, e convidar todos os leitores a deixar sugestões sobre o que vocês gostariam de ver publicado. Entrevistas com quem? Matérias sobre o quê? Ensaios sobre que peças? Escrevam suas idéias, dúvidas e sugestões nos comentários — é só clicar no título da postagem — ou mandem e-mails para <strong><a href="mailto:[email protected]">[email protected]</a></strong>.</p>
<p>Vamos começar juntos essa grande rede. Abraços a todo mundo.</p>
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